31 de julho de 2017

Sarau Dos Conversadores - Livraria da Vila





O Cantador
"Cantador é um ser inusitado
Canta a dor, a tristeza a alegria
Canta a noite a madruga e canta o dia
O que é certo ele canta e o que é errado
Andam ele e a cantiga lado a lado
Devorando as entranhas do universo
E cantando a partida e o regresso
Diz romances e agruras do amor
É assim desse jeito o cantador
Magestoso e cruel em cada verso."

12 de julho de 2017





CANAPU


Para inspirar poetas e afins, para combater maus agouros..., Abrindo os trabalhos de mastigação:
Canapu, castanha de caju e "água benta".

Canapu, também conhecida como camapu, Joá de capote, saco de bode, bucho de rã, bate testa, mata fome. Na Colômbia é conhecida como uchuva e no Japão, como hosuki.
Purifica o sangue, fortalece o sistema imunológico, diminui as taxas de colesterol, alivia dores de garganta.
Atualmente conhecida no mercado como phisalis, tem valor comercial elevado, uma caixinha no Mercado Central aqui em Sampa com 12 frutinhas custa em torno de R$15. Lá no sertão de onde venho, nós conhecemos mesmo por canapu ou saco de bode e era encontrada facilmente em qualquer monturo.
Essas da foto foram presentes de uma amiga de Lenir da região de Parelheiros aqui em São Paulo.

3 de julho de 2017

"Coitada desta nação 
Parece mesmo sem sorte"
A cada dia um ladrão
É solto por um mais forte
Enquanto o povo, coitado
Fica sem prumo e sem norte.
Fica sem prumo e sem norte
E entregue à vilania
Da toga dos insensatos
Seus atos de covardia
Vão matando a esperança
Da plena democracia.
A plena democracia
Há tempos que pede arrego
Mostrando fragilidade
Balançando em seu sossego
E o povo apreensivo
Sobre si crescendo o medo.

27 de junho de 2017






Viva São João, viva o milho verde
Fogueiras, fogos, balões
Viva a Luz, viva São João 
Toda luz aos nossos corações.


"Viva noite de esperança
Teus rituais e lembranças
Trago bem dentro de mim" (quadrilhando: Carlos Dias, João J. De Carvalho, Aldy Carvalho)


"A festa de São João, relembra João Batista, o homem que nasceu em 24 de Junho e, através de suas atitudes na vida, trouxe a mensagem de que "devemos mudar nossos rumos para encontrar a luz", sugerindo que o caminho para isso é a meditação, a interiorização, a reflexão, pois São João ensina que todas as respostas estão dentro de nós.
Essa mensagem nos leva ao conteúdo da festa que é a Sabedoria, a capacidade de aprender algo a partir de nós mesmos. 
Devemos trabalhar em nós a coragem para um julgamento interior consciente visando nosso amadurecimento como pessoa.
Na época da festa de São João, no nosso hemisfério, vivemos o inverno e o frio que favorece o recolhimento, a meditação, a necessidade de ficar quieto e em silêncio com cuidado suficiente para que o ambiente na casa esteja aconchegante mas possibilitando que as crianças vivam intensamente esta festa.
Na festa de São João é costume acender- se a fogueira, imagem em que a luz simboliza a sabedoria, a luz interior e o calor do amor, representando o movimento da sabedoria capaz de iluminar o pensamento, aquecendo o coração.
Havia, antigamente, o costume de as crianças confeccionarem e acenderem lanternas representando a luz interior de cada um, a sabedoria oferecida para iluminar o mundo.
Depois de viver a sabedoria o homem se prepara para a próxima festa. Nesse momento o inverno vai deixando o nosso hemisfério e a primavera vai se apresentando. Toda a natureza, como um ato de coragem, começa a florescer.
O homem também desperta, o sol começa a puxa-lo para fora, ele agora vai atuar."

Nos meus tempos de menino e adolescente na minha cidade de Petrolina, nesta data festiva meu pai, João Joaquim de Carvalho (Jota ou Carvalho para os mais íntimos), fazia-se mestre fogueteiro, acendia a fogueira "e lá pras tantas quando a festa ia animada", fazia girar a "roda de fogo" com mil e um fogos de artifício para nosso deleite e dos convidados, todos ilustres: amigos, vizinhos (a rua toda), compadres, clero, cantadores numa animada confraternização.
Muitos se tornavam compadres e comadres de fogueira fortalecendo os laços de amizade que devem nos unir nesta existência.
Mamãe, alem de mestra de cerimônias, cuidava dos comes e bebes: aluá, gingibirra, ponches, bolo de fubá, puba, batata assada e mais outras guloseimas que os amigos e compadres das caatingas traziam compartilhando da colheita do ano além do milho de São João que havíamos plantado em 19 de março, dia de São José. E na vitrola, Gonzaga, Trio Nordestino e do que mais o autêntico e típico dia de bom gosto pedisse.
Assim eram meus dias de São João láaaaaaa no sertão, na minha terra, Petrolina - Pe

"Ei São João, tá uma fogueira no meu coração!
Ei São João, tá uma fogueira no meu coração.

26 de junho de 2017

Poema do cantador publicado em livro didático - Coleção Campo Aberto





O poema canção "Giralume" do cantador Aldy Carvalho, que faz, parte do cd Alforje foi publicado no livro didático da ed Global, Coleção Campo Aberto, adotado em todo o país para os anos 2016,2017,2018.
Agora as crianças de todo o Brasil tem a possibilidade de cantar esta canção misto de boi, ciranda e frevo.
O livro, um trabalho magnífico de pedagogas competentes, dentre elas a mestra Andréa Gomes de Alencar que certamente indicou o poema para publicação.
Com os agradecimentos do cantador láaaaaaa do Sertão

25 de junho de 2017

O cantador na livraria Nove Sete - 24/06/2017


Aldy Carvalho e Marco Haurélio


Lançamento do livro O Cavaleiro de Prata, de Marco Haurélio, livraria Nove Sete


O cantador em ação, logo atrás o lindo mural de Jana Joana e Vitché.



O Cantador, hoje em Livraria Nove Sete, São Paulo, por conta do lançamento do livro O Cavaleiro de prata, do compadre Marco Haurélio. Ainda abrilhantando o evento, mestre Eufra Modesto, que contou causos maravilhosos.
E viva a cultura popular brasileira!!!

13 de junho de 2017

Aldy em entrevista



Divulgando Cantos d'Algibeira. na Rádio Jornal, Rede Jornal do Comércio de comunicação



Os dias que correm, tempos de agora, me fazem refletir um tempo, já residente da grande cidade (a metrópole me assombrava e inebriava) quando ousavamos não fazer pactos com mandantes insistindo gritar cantando a liberdade. Não fiz silêncio ao perceber que o rio São Francisco escorria pela São João e o povo nem via o risco das navalhas afiadas penetrando feito espadas em nossos corações.

Acumplicio-me de ti Maiakovski, de ti Berthold Brecht, mas quantos são nesse agora os que tem ouvidos de ouvir e os olhos de ver?
O processo segue: e vai o mastro da torre, depois a torre e o patamar da torre e segue-se a oxidar os baldrames.
Há temor, dúvidas, desconfiança, descrença. A ignorância e força bruta graçam nas praças midiaticas com verdades absolutas a convencer a massa entorpecida a balbuciar qualquer coisa de aceite. 
Resta a esperança de que o coração esteja a gritar: canalhas!!


O cantador Aldy Carvalho, os cordelistas João Gomes de SáVarneci NascimentoPedro Monteiroe o contador de causos Eufra Modesto estarão abrilhantando este grande evento do sul das Minas Gerais.
Sejam todos convidados.
Em vez de disputarmos as nossas esperanças, deveríamos dividir, compartilhar nossas esperanças.
Habituamo-nos​ ao exercício de práticas virtuosas e virtuosos nos tornaremos.

Aldy Carvalho

11 de junho de 2017

Aldy Carvalho em Ação - Festa do Cinema



O Cantador na Rádio Jornal - Petrolina PE




O cantador Aldy Carvalho entrevistado pelo jornalista e comunicador Marco Haurelio no programa Revista da Tarde, Radio Jornal FM em Petrolina - PE

Apresentação na rádio Universitária - Fortaleza CE


Cantoria no AESTROFE e Centro Dragão do Mar


Alforge



No Reino dos Imbuzeiros (Aldy Carvalho)




A obra trata dos conflitos humanos, a busca da essência humana, o dilema em saber distinguir o real do irreal, o eterno do transitório, focado no universo mítico do sertão que se manifesta tão universal e transcendente.

"III SARAU DA RESISTÊNCIA - 2016




Espaço Cultural 3 Meninas (casa do educador e ensaísta Ely Verissimo), Itapecerica da Serra/SP.




Sobre Sábado a noite, só temos que agradecer a participação, colaboração e empenho de todos os amigos e parentes que contribuiram de forma brilhante para mais esta edição do nosso Sarau. A cada ano estamos mais envolvidos e nos enchendo de esperança, pois assim como nós, estas pessoas que estão envolvidas neste projeto, são a resistência de um mundo melhor, mais humano e solidário. Este ano ajudamos a família Maganha. À Clarice, nossa pequena Luz, saúde e prosperidade! 
Obrigada a todos que contribuíram para melhorar a situação de saúde da Clarice.


Moreira de Acopiaba
Marisa Serrano
Paulo Dantas
Chico Feitosa
Valdeck de Garanhuns
Eufra Modesto
João Gomes de Sá
Aldy Carvalho

Pedro Monteiro 
Varneci Nascimento 
Katia Cristina de Freitas 
Jack Laws 
Karen Santos Maganha 
Fabio Maganha
Cleusa Santo
Até o ano que vem meus queridos!
Família Veríssimo

Sobre a obra A ganância de um preguiçoso, por Aderaldo Luciano

O cordel brasileiro registrou em sua formação a presença de personagens decisivos, ora representando um tipo geral do povo, ora promovendo a reflexão sobre uma particularidade desse mesmo povo. Dessa forma desfilaram: João Grilo, o astuto, vivo e sabido; Chicó, um mentiroso inveterado, mas sensível; Vicente, o ladrão superior; Chicuca e Tubiba, troncos da valentia sem propósito; o próprio Lampião, simbolizando o mito emancipatório; e outros que o tempo não sepultou.
A presença do preguiçoso é outro traço do cordel extraído do meio do todo poético brasileiro. Devidamente registrado e catalogado em histórias de trancoso e contos populares de todos os continentes, ele, o preguiçoso, desembarca neste poema de Aldy Carvalho carregado com um traço distintivo diferenciado: a ambição. Sendo esse traço apenas o pretexto, a ferramenta utilizada pelo poeta para fazer desfilar pelas suas sextilhas elementos ancestrais significativos do interior nordestino.
O conselheiro a que todos recorrem para acalentar suas dores e observar saídas; os ciganos em grupo, mestres na arte do jogo e da divinação; as velhas e conhecidas botijas carregadas de ouro e maldição; os sonhos misteriosos reveladores da vida e suas armadilhas; a anciã malévola, herdeira dos males dos contos de fadas; os animais fantásticos, detentores de razão e vontades; os grupos de romeiros em busca de paz e devoção. E como em todos os contos de ensinamento: o arrependimento e o recomeçar.
Aldy Carvalho retira de sua vivência e experiência, como músico consagrado e competente, os arquivos para a composição do seu poema sem máculas. Como anunciava em seu disco Redemoinho, de mais de 20 anos passados: é preciso preparar o chão para a colheita… os nossos destinos se encontram nas veredas. O cordel encontrou Aldy: ganha Aldy com o cordel, ganhamos nós com Aldy. A colheita é de todos.

Aderaldo Luciano

Aldy Carvalho na Rádio New Life




X Cordel da Cortez




Na Livraria Cortez, por ocasião do sarau de abertura do "X Cordel da Cortez". Aqui com os colegas Pedro Monteiro, João Gomes de Sá e Aldy Carvalho. Muito bom reencontrar amigos, conhecer pessoas e versejar a vida, a alegria...



O Cavaleiro das Léguas




O Cavaleiro das léguas

Feira de Livros e Cordel - Sesc jundiaí






Hoje em Sesc Jundiaí, feira de livros e Cordel com a Companhia do Cordel capitaneada pelo professor poeta cordelista, João Gomes de Sá; contação de causos, cantigas de roda e mais com mestre Eufra Modesto; intervenção recitativa de Cordel com o poeta da terra dos carnaubais Pedro Monteiro; o poeta dos mil cordéis, de gracejo inclusive, Varneci Nascimento e a cantoria deste cantador com as participações do extremoso violinista Luiz Carlos BAtista Ribas Ribas e da excelência de Tony Marshall, tudo sob a assessoria técnica de Maria José FreitasLenir Do ValeMarlon Do Vale Carvalho. Obrigado João Gomes de Sá, querida amiga Karla Priscila e Sesc Jundiaí.

Centro Cultural Dragão do Mar - Fortaleza CE






O cantador Aldy Carvalho em Cantos d'Algibeira. em Centro Cultural Dragão do Mar/ Fortaleza. Participações especiais do poeta bordador de historias, Maestro Rafael Brito, da cordelista Djanira Feitosa. tudo sob a batuta do poeta Klevisson Viana.

O cantador em Noite de São João - 2016








O cantador em Noite de São João em Sarau lítero musical de Casa de Cultura do Tremembé, São Paulo/SP.
Obrigado Noemi Carvalho Moura, amigo contador de causos Eufra Modesto.
A cantoria foi boa, além das récitas e cantos dos poetas presentes o público foi brindado com obras de literatura de cordel, No reino dos imbuzeiros, deste cantador e a mais recente obra do poeta Pedro Monteiro, José e Marina.

Quadrilhando (Aldy Carvalho, João Joaquim de Carvalho e Carlos Dias)

Viva noite de esperança

Teus rituais e lembranças
Trago bem dentro de mim
Nesta noite de amizade
Vou levar tanta saudade
Que nunca mais terá fim

Quero nesta brincadeira
Junto da fogueira
Apertar tua mão
Cruzar nossos dedos
Contar segredos para São João

E São João vai contar para São Pedro
São Pedro pra Santo Antônio
Até chegar ao matrimônio.

Ei São João
Tá uma fogueira no meu coração
Tá uma fogueira no meu coração.

Eu estou tão comovido
Me sinto tão envolvido
No desejo de te amar
Sou igual a um passarinho
Caído fora do ninho
Sem saber como voltar.

Quero nesta brincadeira
Junto da fogueira...

No teu corpo envolvente
Minhas mãos suavemente
Deslizando sem parar
Beijando teu colo macio
Como o leito de um rio
Quando corre para o mar

Quero nessa brincadeira
Junto da fogueira
Apertar tua mão
Cruzar nossos dedos
Contar segredos pra São João

E São João vai contar para São Pedro
São Pedro pra Santo Antônio
Até chegar ao matrimônio.

Ei São João
Tá uma fogueira no meu coração
Ei São João
Tá uma fogueira no meu coração
Tá uma fogueira no meu coração.

Rosa Viola


Minha viola é perdigueira
Se eu canto ela também
Quando eu toco
ela responde: vem
E eu vou bem dedicado,
num carinho dedilhado
No braço e no corpo,
no corpo e no braço.

E nos conformes do compasso
Vou pra riba e pra baixo.
Minha Rosa se comprime
se distende.
Mais um acorde,
ela se rende.
Se treme, geme
se sacode.
Nos meus braços diz amém.
Quando eu vou, ela vem,
Nós dois tinindo de desejo.
Canto beijo, coração, bom-bocado
E nesse tinido,
penerado,
pinicado,
“vamo inté o sol raiá!”
Rosa!
Ê Rosa,
o amor é coisa linda de Deus!

Aldy Carvalho
Em Pernambuco, assim como em outros estados do Nordeste e do país, encontramos várias expressões de linguagem, palavras, que enriquecem o léxico. Algumas são características da região em que é falada, outras são comuns a mais de um estado ou região. Em Pernambuco, encontramos várias palavras comuns aos demais estados do Nordeste, muitas são típicas do povo do Sertão, outras ainda são típicas de Recife.

Aperreado (preocupado, aflito); Arrochado (muito apertado); Afolozado (folgado, frouxo, espanado); Altear (aumentar o volume); a pulso, apulso (à força); Arrudiar, arrodear (dar voltas – mais usado no Ceará); Avexado (com pressa); Triscar (tocar de leve – mais usado no Ceará, mas com muitas ocorrências no sertão de Pernambuco); Avia (apressa, agiliza); Bascui, Basculho (sujeira, entulho, sujeira jogada pelo vento); Bufar (peidar); Bulir (mexer,mexer em algo, e ainda tem conotação de bolinar, ou desvirginar. “ ...ele buliu com a filha alheia, Mané...” Aldy carvalho.); Boga (ânus) “vai tomar no zé de boga”; Bater uma bronha (masturbação masculina); Cabaço (hímen; virgindade); Cabuetar (denunciar); Cabreiro (desconfiado); Catraia, catraia veia (mulher sem compostura, vadia); Cambito (perna fina); Choramingar (chorar baixinho);Corpete (sutiã); Cotoco (pedaço pequeno, muito pequeno de um objeto e ainda, o ato obsceno de mostrar o dedo médio a alguém); Cruviana (o frio da madrugada. “... se embruia fio, por causa da cruviana.” Aldy Carvalho); Derna (desde, “derna de então...); Descabaçar (tirar a virgindade); Entonce (então); Farnesim ( comichão, agitação nervosa, estar irrequieto,); Farofa (enganação, pose “ ele fala muito, só tem farofa”.); Fedor (mau cheiro); Fubica (carro velho); Fuleiro ( usa-se para designar, classificar coisa, objeto sem valor e ainda diz-se de pessoa que não cumpre o que promete); Fresco, Frango (homossexual masculino); Folote (folgado); Fechecler (zíper, fecho da calça. Fecho eclair.); Furico (ânus); Fuleragem (atitude desprezível); Gastura (acidez, mau estar, enjôo); gasguito/a ( de voz estridente, fina e estridente); Gaiato (gozador); Grude (sujeira, “ ...cuidado que senão, bichinho, o pai do grude vem te buscar.” Aldy Carvalho); Pai do grude (pai da sujeira); Injiado (enrugado); Galego/a (pessoa loura); Guenzo/a ( pessoa magricela); Interar (completar); Infusado (muito usado, objeto ou coisa ou ato fora de uso, fora de moda); Lambedor (xarope caseiro); Lapada (dose); Lapa (grande, “... olha a lapa de peixeira ...); Lambisgóia (mulher magra, namoradeira etc.); Lambuja ( ganho, vantagem “... e ainda deu 3 reais de lambuja”. Aldy Carvalho); Leso (bobo); Madorna (dormir, fazer a cesta, “... enquanto ele foi tirar uma madorninha ela aproveitou...” Aldy Carvalho); Marmota (pessoa desajeitada, mal-vestida); Mangar (Zombar, gozar, rir de alguém); Malamanhado (pessoa mal-vestida, mal-arrumada); Mundiça ( ralé, pessoa sem educação. “ A mundiçada toda se ajuntou em frente da casa...” Aldy Carvalho); Mixuruca (objeto pequeno, de pouco valor, pouca coisa); Muriçoca (mosquito, tipo de pernilongo); Noda (nódoa, mancha. “ ...a camisa dele tava que era só noda de caju.” Aldy Carvalho); Novela (situação de difícil resolução); Obrar (cagar, defecar); Oitão (parte dos fundos da casa); ôxe, oxente (exclamação de surpresa); Pabo (cheio de orgulho vão, empáfia); Padaria (bunda, nádegas); Pantim (artimanha, trejeito, ); Peido-de-véia (traque, bombinha de São João,); Peido ( ventosidade emitida pelo ânus; normalmente quando com sonoridade, sem sonoridade é apenas bufa); Penca (cacho, grande quantidade); Pereba (ferida); Pinguelo (clitóris, pontinha de alguma coisa que sobressai, tramela...); Ponche (refresco, suco de fruta); Presepada (estrepolia, atitude desonesta); Presepeiro (Aquele que pratica presepada); Quenga (prostituta); Rabiçaca (derrapada “o carro deu uma rabiçaca na curva e quase capota”. Diz-se da pessoa que se dirige a outra com grosserias e logo sai sem dar direito de resposta, ou ainda aquela que resmunga ofensas sem ouvir o interlocutor e lhe dá as costas indo embora); Reboculosa (mulher de corpo avantajado e atraente); Remela (secreção ocular); Riba, em riba ( a parte superior; em cima); Roscofe (relógio de pulso de baixa qualidade); Ruma ( grande grupo de pessoas ou de objetos); Sebosa (pessoa sem higiene, suja); Seboseira (sujeira); Sustança (valor altamente nutritivo de um alimento); Sobejo (resto de comida); Sibito, sibito baleado (pessoa magra e de baixa estatura. Obs. Sibito é um pequeno pássaro); Tamborete (pequeno banco de madeira); Tamborete de zona, tamborete de forró (pessoa baixinha); Torar (quebrar, partir); Trubufu (pessoa feia); Traquino (agitado; menino traquinas. O que mexe em tudo, buliçoso); Toitiço (nuca); Troço (objeto pessoal; pessoa desqualificada, também no sentido de catrevagem); Trepeça (pessoa má); Tinindo (estado de novo; brilhando); Troncho (inclinado, torto “ Ele, o alfaiate, deixou a calça toda troncha.” Aldy Carvalho); Vascui ( o mesmo que bascui ou basculho); Vexado ( o que tem pressa); Vôte (interjeição de espanto); Vixe! (interjeição de espanto); Vigia aí (veja aí; dê-me aí; observe); Xeleléu (bajulador, puxa-saco); Xereca (vagina); Xoxo (magro, franzino, raquítico; Diz-se do grão de feijão, grãos de cereais em geral, quando estão podres, murchos); Xoxota (vagina); Zoada (barulho, confusão).

Ta viçando (ta no cio; se aplica a animais e chulamente a pessoas)

De hoje a oito (de hoje a oito dias).

Ta de rosca ( ta difícil de resolver, não agiliza. “ ele ta lá, já faz mais de meia hora e ainda não saiu, tá de rosca”.).

Vou chegar ou vou chegando (diz-se ao deixar um recinto, neste caso significa vou embora.).

Vai dar bode (vai acabar em confusão).

Tô operado (significa: sinto, mas não posso te ajudar).



Falou e disse
Disse bem o cantador
Se eu disser meia quadra
Você diz que é quadra e meia
Se eu disser meu sapato
Você diz que é minha meia
E se eu falo pernambuquês
Lá vai um, dois e três.

Bom, é isso o que tinha pra dizer e lembrar sobre o assunto.

Eu me chamo Aldy Carvalho

Eu me Chamo Aldy Carvalho
Cantador de muito alume
Meu canto ecoa na serra

Do sopé até o cume
Vento leva a melodia
As rimas da cantoria
Pra não perder o costume


Pra não perder o costume
Vou falar pernambuquês
Lá vai um, dois e três

Vôte! isto é que é boniteza
Menino traquino, ladino
Lá vai quatro, cinco e seis

Não se bula, não diga um ai ...
Se sente no tamborete
Vou lhe contar o macete
Se for por dez pés lá vai.

7Milistria de Aldy Carvalho, O Texto Sagrado

É uma fórmula e alquimia legada por ancestrais deste beradeiro, cantador láaaa do sertão, que o elegeram em profecia escrita em pergaminhos milenares para a responsabilidade de resgatá-la, desenvolvendo-a e formulando-a conforme a fórmula inscrita nos ditos pergaminhos, com ervas neles preditas e com as que, no devido tempo viria a conhecer através da sabença empírica, das instruções ali contidas, de pesquisas químicas e botânicas, além das palavras mágicas que, guardadas no alforje da memória e na justa medida do segredo, devem ser proferidas na hora da manipulação, tendo ainda a especial incumbência de tudo isso fazer longe das vistas ou especulações profanas e com o espírito comungando com os bons fluidos e eflúvios dos ancestrais, sob pena de sofrer terríveis castigos, impronunciáveis maldições, na conformidade dos escritos nos pergaminhos.

Tomada na dose certa, a 7Milistria faz bem salutar: eleva o espírito, dá equilíbrio à matéria mantendo a “mente sã, espinha ereta e o coração tranqüilo”, pois como diz “Platão”, tudo demais é veneno.

Então, se você tiver o privilégio de ser convidado para tomar uma dose deste elixir, bálsamo da vida, 7Milistira de Aldy Carvalho, também chamada de 7Milistria do Beradeiro, devido à origem do eleito, tome-a e sinta o espírito elevar-se, a matéria renovada ativará a vontade de buscar com mais facilidade vencer os percalços que a vida se nos apresenta podendo atingir o nível de satisfação, felicidade, que todos almejam.




                 AS SETE MILISTRIAS DO POETA ALDY CARVALHO

                                                                               Valdeck de Garanhuns .   
                                                                                                        Poeta, multiartista, Mestre de mamulengo, pedagogo, arteeducador
Das profundezas vistosas
Da era dos ancestrais  
Dos dons espirituais
Das matas misteriosas
Das ervas maravilhosas
Do riso e da alegria
Das trevas, da luz do dia
Retirei meu argumento
Pra explicar num momento
O que é u’a milistria.

No reino da alquimia
Se faz muita misturada
Elixir e garrafada
Que ao povo dá alegria
Eu misturo poesia
Para fazer meu trabalho
Porque farei um retalho
De versos, rimas, folias,
Com as sete milistrias
Do poeta Aldy Carvalho.

Pra palavra milistria
Não existe tradução
É o sim e é o não
É a paz e a euforia
Processo de alquimia
Mistério do meu sertão
Calmante do coração
Luzeiro do pensamento
Remédio pro sofrimento
Cadeia de união.

Milistria é invenção
De um cabra de Petrolina
Cantador é sua sina
É poeta e artesão
Aldy Carvalho é irmão
E aos irmãos dá alegrias
Recordando as dinastias
Da tradição milenar
Começarei explicar
Todas sete militrias.

A primeira milistria
Cura a dor das sete pontas
Ajuda a pagar as contas
Mas se for do mesmo dia
Fomenta grande euforia
Deixa o ser iluminado
Cantando verso de gado,
Ciranda, frevo e baião,
Dançando samba-canção,
Maxixe, coco e xaxado.

A segunda afasta o mal
Modifica o pensamento
Provoca um encantamento
Que a gente fica anormal
Sai andando pro quintal
Já quer voltar para a sala
Quer falar e perde a fala
Perde a fala e quer falar
Se senta quer levantar
Levanta, senta e se cala.

A terceira é poderosa
Cura dor de corno manso
Tira inhaca, tira ranço
Mede o medo é milagrosa
Tem cheiro e gosto de rosa
Ou do que se imaginar
Agente pega a gostar
Dessa bebida maneira
Quando vê sai na carreira
E está no mesmo lugar.

A quarta é misteriosa
Ardilosa, muito estranha
Pois foi a Mãe de Pantanha
Quem descobriu a tinhosa.
A fala fica manhosa
A pessoa se desdobra
E todo tempo que sobra
Diz besteiras colossais
E começa a falar mais
Do que o “homem da cobra”.



A quina tem fantasia
Você vê tudo bonito
Tá calado dá um grito
Tá triste tem alegria
Essa é a milistria
Da hora do encantamento
Pois o nosso pensamento
Pensa sem pensar pensando
E o juízo vai ficando
Mais veloz que um pé-de-vento.

A sexta vem do país
Chamado São Saruê
É com ela que se vê
A terra do ser feliz
Ouve o cantar do Concriz
O canto da Carimbamba
Fica com a perna bamba
Querendo mais milistria
Que em meio a tanta alegria
Ouve um tango e dança um samba.

A sétima tem o poder
Das esfinges siderais
A gente bebe e quer mais
Porém não pode beber
Porque senão vai saber
O que nunca deveria.
O segredo da magia
Não pode ser revelado
E o sujeito embriagado
Desiste da milistria.

Misteriosa mistura
Aldy carvalho inventou
Sete coisas misturou
Tornando a bebida pura
Presenteando a cultura
Escrevi esse trabalho
Como as gotas de orvalho
Que enfeitam as pradarias
Enfeitei as milistrias
Do poeta Aldy Carvalho.


                                           Valdeck de Garanhuns .